Rubens Júnior

Como o Iluminismo, a Revolução Francesa e o Positivismo acadêmico, mudaram a Arqueologia para pior

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Percebemos uma mudança de paradigma na arqueologia.

Saímos de uma arqueologia que usava a Bíblia e autores antigos como mapa, que servia para confirmar a história porque se dava crédito ao que os homens diziam. Hoje, temos uma arqueologia que suspeita de todo testemunho textual, especialmente bíblico, até que uma “pedra” ou qualquer outro "artefato" seja achado e confirme a história. O que temos hoje é uma espécie de positivismo arqueológico que se estabeleceu como ciência histórica. Antes, o que a Bíblia dizia era o mapa para os arqueólogos escavarem. O que Flávio Josefo (historiador Judeu do primeiro século) dizia era o maior mapa de cartografia arqueológica que se tinha. Tudo que já encontraram, acharam por intermédio da bíblia e de Josefo. A arqueologia se servia da Bíblia, escavava e achava, mas depois que eles acharam muito, o papel se inverteu. No início a Bíblia servia para/na ignorância deles. Depois que eles foram achando, achando e achando, o movimento arqueológico tomou fama e cresceu muito no mundo e começou a se a se transformar num dogma.

O paradigma mudou!

Hoje, se a afirmação que a Bíblia faz caso não tenha sido ainda encontrada (e eles não têm que achar tudo o que a Bíblia diz porque elas não são acháveis em razão do tempo decorrido ou porque não se pode escavar em determinados locais por estarem em geografias de guerra), eles categorizam a afirmação como mito, ou então que é uma invenção da Bíblia. Enquanto aquela “pedra” não for achada dizendo que aquele personagem da bíblia existiu, por exemplo, aquele cara passa a inexistir para essa arqueologia positivista.

Chegamos a este ponto hoje em que a Bíblia é o mais desacreditado de todos os livros, embora seja arqueológica e historicamente o mais crível de todos. Qualquer coisa que relativize o que está nas escrituras virou mais do que moda. Aquilo que está marcado a ferro, fogo, sangue, que mudou as consciências do mundo inteiro, que foi carregado nas almas e vísceras da humanidade, se os arqueólogos não acharem uma “pedra” para confirmar aquilo ali, não serve, é mito.

De um ponto de vista histórico-filosófico, a “culpa” não é de um único fator isolado, mas de um conjunto de movimentos: Iluminismo, Revolução Francesa e positivismo. Ela tem a ver com esses três porque nasce exatamente do clima intelectual que eles criaram: razão autônoma contra revelação, ciência “neutra” contra tradição cristã, e culto ao dado material como único critério de verdade.

O Iluminismo coloca a razão humana como juiz supremo da Bíblia, da Igreja e da tradição. A Escritura passa a ser lida como “documento humano” sujeito a suspeita, não como Palavra de Deus. Essa mentalidade de suspeita e de análise “científica” das fontes é a base filosófica da alta crítica e do modo cético como muitos arqueólogos lidam com a Bíblia.

A Revolução Francesa radicaliza o espírito iluminista: culto à Razão, projetos de descristianização, tentativa de substituir religião por ciência. Isso favorece um meio acadêmico em que qualquer leitura que relativize a fé bíblica ganha prestígio, enquanto abordagens que partem da confiabilidade da tradição cristã são tratadas como atraso.

O positivismo tenta fazer da arqueologia uma ciência rigorosa baseada apenas em fatos observáveis e leis gerais. Em vez de confiar em testemunhos e documentos antigos, passa-se a exigir evidência material, mensurável, datável; museus, arquivos, escavações e técnicas como paleografia e datações tornam-se o “tribunal” da verdade histórica. Um ossinho com datação física pesa mais do que séculos de tradição textual; textos bíblicos são tratados como “mito” até que uma inscrição ou artefato os confirme.

Lamentavelmente a arqueologia de hoje é filha dessa combinação: Iluminismo, Revolução Francesa e positivismo.

Nós cristãos não precisamos ficar na defensiva em relação a Bíblia; ao contrário, podemos confiar com tranquilidade na historicidade básica das Escrituras mesmo num ambiente acadêmico cético. A Bíblia não depende da “pedra”, a maior parte do que a Bíblia narra nunca será escavado: está soterrado, em zonas de guerra, destruído ou simplesmente fora do alcance da arqueologia. A fé não fica refém do que um arqueólogo encontra ou deixa de encontrar; Deus nunca condicionou a verdade da revelação à aprovação de laboratório. O testemunho humano ainda conta. Tratar séculos de testemunho bíblico e cristão como “nada” e um ossinho como “tudo” revela mais um preconceito filosófico do que um compromisso real com a verdade.

A Palavra que moldou consciências, culturas e indivíduos ao longo de milênios não perde sua força porque a moda intelectual mudou; o evangelho continua salvando e transformando vidas.




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